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Neide Aparecida, presidente da ASSIDEF, tem uma linda história de vida para contar. Nascida em Cachoeira de Itapemirim, veio morar na cidade de Mesquita aos 9 meses de idade, para tratar da poliomielite. Ela afirma que aos 10 anos de idade começou a andar de muletas, já que fazia tratamentos de reabilitação. Seu desenvolvimento estava indo bem, até que com novas eleições, a política estadual mudou e com isso retiraram o transporte que era responsável por levá-la até as clinicas, no centro do Rio, onde fazia o seu tratamento. Isso fez com que seu estado regredisse, além de ter brotado em sua mente uma indignação pela falta de locomoção para as pessoas com deficiência. “Eu sempre questionei o porquê dos deficientes não poderem ter mobilidade. Eu mesma passei muito tempo da minha vida trancada dentro de casa, pois as ruas não eram acessíveis para mim”, disse. Em 1988, Neide teve o seu primeiro contato com entidades para deficientes, no entanto, o impacto foi negativo, já que percebeu que muitas instituições definiam os deficientes como “coitados”, e não como pessoas que precisavam de direitos especiais. Já em relação a sua educação, Neide foi alfabetizada em casa por sua mãe. Quando conseguiu se matricular em uma escola, ela explica que por causa do preconceito, teve que repetir três vezes a 4ª série, já que nenhuma outra unidade de ensino a aceitava. Foi em 1985 que Neide conseguiu se matricular na Escola Estadual Vila Bella, em Rocha Sobrinho. “Foi nessa época que o meu espírito de liderança floresceu. Eu era sempre a representante de turma, e organizava vários abaixo assinados em prol dos estudantes”. Com o passar do tempo, a luta de Neide somente aumentou. Uma delas foi pelo asfaltamento da rua onde morava, para que assim, pudesse sair de sua casa sozinha, motivo esse que a fez perdeu vários empregos. Como o seu pedido não foi atendido, ela completou dizendo: “nesta fase da minha vida, que percebi que eu não tinha acessibilidade, caí várias vezes em depressão. Mas eu venci trabalhando em casa, fazendo artesanato. Durante 5 anos, juntei dinheiro para poder comprar meu primeiro carro e assim conquistar a minha independência”. Sempre participando de seminários e conferências com temas voltados para as pessoas com deficiência, no ano de 96, Neide conheceu Flávio Nakan, que também é deficiente e conhecido pela sua militância. Foi nesta época que se uniram com o objetivo de criar uma associação para lutar em defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Com o amadurecimento da idéia, em 1998 a Associação de Integração de Deficientes – ASSIDEF nasceu. Neide,que é presidente da ASSIDEF, hoje cursa a faculdade de Serviço Social, que é conseqüência do seu trabalho realizado na instituição. “Assim que eu concluir a minha graduação, pretendo realizar um trabalho com as famílias dos deficientes. Muitos pais, assim como os meus há alguns anos atrás, não sabem como lidar com a deficiência dos seus filhos. Isso acontece por falta de informação. Quero mostrar para esses pais que o deficiente também precisa sair de casa, se divertir, namorar e ter amigos, e não somente trabalhar e produzir”, conclui Neide.
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